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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Páscoa: Porque Lembrar é Ser



Porque é importante celebrar a páscoa?

O ser humano é aquele que se lembra. É porque temos memória que temos identidade. O animal pode ser algo diferente a cada momento em que acorda de novo sem nem mesmo saber a razão da mudança, pois ele não carrega o seu passado consigo. Ele não pensa sobre o seu passado, sobre o que foi, e a relação disso com o que ele é, e com o que ele será amanhã. Mas o ser humano não é assim.

O ser humano é feito de uma fusão, em sua consciência presente, do passado que ele foi e do futuro que ele quer ser. O ser humano tem consciência de sua temporalidade. É por isso que temos tradições e temos história pessoal, e nos lembramos de "quando eu tinha dez anos...". É por isso também que a gente muda - é porque decidimos ser diferentes do que fomos antes, em muitos aspectos.

Mas há coisas que desejamos esquecer; às vezes legitimamente, às vezes não. E há uma coisa que o mundo contemporâneo gostaria de esquecer a qualquer custo: a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus. A Cruz é o testemunho fincado bem no meio da estrada da história de que o homem tomou a direção errada e de que Deus apareceu para corrigi-la. Na maior parte do tempo as pessoas se desligam do fato, mas precisamos lembrá-las, e precisamos lembrar a nós mesmos de que o sentido e o fim da história já foram revelados, de que a nossa vida já foi iluminada, explicada e avaliada pela Cruz.

Doravante é inautêntico e falso tentar viver como se nada tivesse acontecido. Seria como continuar dançando alegremente no salão de festas do Titanic enquanto o navio afunda. A verdade sobre quem nós somos e sobre o julgamento do mundo já foi desvelada, assim como a verdade sobre a presença de Deus e a redenção em Jesus.

Isso significa que precisamos nos lembrar sempre desse grande evento: diariamente, semanalmente, e anualmente. Não para relembrar um fato externo a nós, apenas, mas também para relembrar a verdade sobre a nossa condição interna, sobre quem nós realmente somos.

Ter um período do ano totalmente dedicado à celebração e à reflexão sobre a última ceia, o sofrimento, a morte e a ressurreição de Jesus nos ajuda a lembrar porque é que somos cristãos, ao invés de ser outra coisa. Nos ajuda a entender que enfim não podemos ser outra coisa, e que nenhum ser humano jamais poderá ser autenticamente outra coisa, e que se algum ser humano decide ser outra coisa, está deixando de ser o que é.

Então, enquanto o mundo se lembra de coelhos e ovos, vamos aproveitar o momento para voltar à realidade e para chamar o mundo à realidade, para se lembrar da Cruz de Jesus Cristo. Vamos cultivar a tradição de lembrar o que não pode ser esquecido, pois deixar de lembrar é deixar de ser.

E assim, relembrando o que Deus fez por nós ontem, saberemos quem somos hoje, e o futuro glorioso que nos aguarda no amanhã.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Pequena Homilia Anti-Libertária


O texto abaixo é um trecho de um capítulo do livro "Cosmovisão e Transformação II", com lançamento previsto para 2009



Soberania
: inicialmente, como o expôs Kuyper, um conceito simples e intuitivo. Soberania é o direito de impor a própria vontade. O direito de exercitar a liberdade, nesse sentido; mas de causar, no exercício da liberdade, uma limitação da liberdade. E desde seu direito ao poder, a liberdade de exercitá-lo para bloquear toda resistência a si. Nesse sentido, sim, Deus é a fonte de todo o poder. O Deus Trino é o Soberano absoluto, detentor do direito e das energias necessárias para fazer cumprir a sua vontade.

Como poderia ser diferente? Há quem pense hoje que tal noção de Soberania divina seria um reflexo de patriarcalismo, ou uma fonte de intolerância e violência, ou fruto de uma sensibilidade religiosa doentia, fundada no medo ou no sentimento de culpa.

Não seria possível demorarmo-nos agora no debate com uma ou outra dessas correntes. Um tratamento justo às teontologias libertárias, que tentam construir uma divindade mais frágil e dialógica, a bem de uma atualização da pregação cristã, exigirá outro artigo.

Não obstante é justo, aqui e agora, denunciar a um modo homilético o seu etos, o seu impulso fundamental. Pouco esforço é preciso para reconhecer-lhe a fonte: um respeito humano desmesurado. Que perversa doutrina pretenderia arrancar das mãos do Senhor o seu cetro, puxar as suas barbas e fazê-lo dobrar-se diante de sua criatura, senão o nosso bom e velho humanismo secular? Já conhecemos essa história; aumentar o espaço da liberdade humana à custa de reduzir o espaço da soberania divina.

Ora, que estratégia mais tola poderia ser criada? Se chegamos a empregá-la, é porque já perdemos o contato com a realidade. Um deus que possa ser posto a par com o homem, que tenha que se por de pé para ceder-lhe o assento já é um nada, um outro do seu tipo. Nem o milagre da encarnação do verbo redimiria esse maquinismo teológico.

E bem a propósito: somente uma terrível confusão poderia levar um homem a entender que, na encarnação, Deus se tornou humano. Deus nunca foi, não é e jamais será humano. Deus é divino, não é uma criatura. Não pode se transubstanciar em uma criatura. Jesus, o Logos, Deus de Deus, Luz de Luz, era Deus e criatura simultaneamente; mas a sua criaturidade não se tornou em divindade, nem a sua divindade se tornou em criaturidade. Ele era ambos, Criador e criatura, unidos em uma pessoa, sem confusão nem mistura de substâncias.

Mas o humanismo, agora em nome da piedade evangélica, deseja tornar o Leão em gato; criar um pobre deus que vamos abrigar em nossas casas, por piedade – assim o são as divindades das mais variadas formas de teologia libertária, que repetem teimosamente o erro de separar Natureza e Graça, de criar um vácuo de ação divina para dar livre arbítrio e “responsabilizar o homem” elevando a dignidade divina pelo dúbio expediente de livrar-lhe do mal a cara.

Para se achegar ao homem, Deus não deixa a sua divindade. O infinito, por condescendência, se acomoda à finitude, mas não deixa nem por um momento a sua infinitude original, pois “nem o céu, nem o céu dos céus o podem conter”: finitum non capax infiniti. O amor e a condescendência de Deus para conosco não se realizam à custa de sua Soberania e de seu Poder sobre todas as coisas. Não deixa Ele o seu Trono para encher de fumaça o seu templo. Nem assume o corpo infantil calando a Palavra que a tudo sustenta. Nem forma Ele a liberdade humana por meio de uma ausência, de uma limitação de sua Soberania, de um vácuo de presença divina; pois “nele vivemos, nos movemos e existimos”. O Altíssimo está mais perto de nós do que nós mesmos, e não criou a liberdade humana como um poder autônomo em relação a Ele. Antes, é a Soberania divina o fundamento supremo da liberdade humana.

Mas, como Schaeffer tantas vezes nos advertiu, a natureza, deixada autônoma, “devorará a graça”. É o mais fatal dos erros tentar garantir a liberdade humana reduzindo o espaço de Deus e de sua Soberania, postulando um universo opaco, vazio da divindade, “secular” e entregue ao arbítrio humano. No fundo desse poço de respeito à dignidade e à responsabilidade humana há uma serpente matreira.

Há quem pense seria bom para o movimento de Missão Integral no Brasil adotar uma ou outra versão libertária da divindade, como se expandindo o campo da iniciativa humana, os cristãos viessem a se tornar menos passivos, sentindo-se mais necessários a seu pobre Senhor e aos pobres pecadores. Ledo engano. Se nos tornarmos mais missionais, mais ativos e mais responsáveis apenas porque temos um senso elevado de nossa autonomia humana, de nossos poderes de intervenção, de nossa capacidade de romper as determinações históricas, eu pergunto: de quem será a glória?

Essa expectativa já denuncia a ruína espiritual em que estamos metidos. Deus já não nos move. Desprezamos o Deus da Bíblia – aquele Deus poderoso, terrível, Soberano, Juiz, Salvador – nossa sensibilidade, nosso senso de adoração, nossa reverência e nossa abertura para a transparência do mundo se perdeu. Vivemos num universo opaco, relativístico, sem profundidade espiritual e sem Lei. O que nos resta? Exaltar a autonomia humana para fazer a Missão Integral andar no Brasil. Que fracasso miserável. Melhor nos seria amarrar no pescoço uma pedra de moinho. Ou pior: retroceder de vez para a semi-extinta teologia da libertação.

Não, sejamos progressistas! Vamos progredir de volta. De volta à visão clássica de Deus, sem a qual as nossas idéias sobre a natureza da Soberania não passarão de versões carolas do humanismo secular. Não há futuro no motim libertário. Pois a liberdade não é ganha pela ausência, mas pela presença de Deus.

domingo, 9 de julho de 2006

Convocação à batalha pelo Corpo de Moisés

Guilherme V. R. de Carvalho

Para meus Pais

“o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés”
Judas 9

Porque Satanás desejaria o corpo de Moisés?

Porque tomar aquele corpo envelhecido, cheio de memórias horrendas, de encontros maravilhosos com Deus? Porquê sujeitar-se a ser confundido com ele, repetir seus trejeitos e cheiros, imitar a sua voz? Pior; e se ele era mesmo gago? O que poderia fazer um diabo gago?

Pergunta óbvia. A mera pergunta induz a resposta: toma-se o corpo para se parecer. Há muitas formas de se parecer com alguém, mas qual seria melhor que tomar o seu corpo?

Desceu, pois, o arcanjo Miguel, para contender com o diabo e disputar o corpo do profeta. Também Deus queria aquele corpo, que era seu. Deus não queria só o espírito, mas também o corpo. É claro, Deus não queria apenas impedir que o diabo enganasse a outros por meio daquele corpo – engano possível apenas se não conhecêssemos nada além de Judas nove. Deus queria o que era seu. Mas também, o que era de Moisés; só o diabo quererá negar a identidade de Moisés com o seu corpo, e o ponto é inimaginavelmente importante, a ponto de conferir proporções cósmicas à batalha por ele.

Corpo é expressão temporal e material do ser; superfície na qual o interno se torna visível, o profundo na superfície, o símbolo de mim, que participa do que sou eu. Isso é o que o corpo deveria seria ser; para isso Deus criou o corpo. Mas a queda destruiu a sua finalidade, e colocou o eu contra o eu, o eu interno contra o eu externo. A leitura mais superficial de Romanos sete nos fará lembrar rapidamente a miséria de se achar fraturado, de querer e não querer ao mesmo tempo, de buscar a própria redenção por meio da auto-destruição.

O pecado separa barro e espírito, mata o sentido, afasta corpo de ser. Situação deveras miserável; eu separado de mim e, como se não bastasse, figuras infernais desejam alienar-me ainda mais de mim mesmo, tornar-me em dois e, então, em outro, para usar-me contra mim. O que será que Moisés pensou quando viu, de sua nuvem, o diabo lutando para apossar-se da sua superfície, para conectá-la com uma outra profundidade?

A luta entre Miguel e o diabo pelo corpo de Moisés lembra-me a luta pelo sentido, no campo da interpretação, e da própria teoria hermenêutica; ou melhor, a luta pela forma do sentido; ou a luta pela superfície do sentido que, não deveria mas, miseravelmente, é separada de seu coração, de sua fonte semântica profunda.

Ora, um calvinista, tipicamente, não se entregaria a este tipo de alegoria fantasiosa, inventando sentidos com as imagens bíblicas. Eu, especialmente, que por tantos anos defendi uma interpretação literal (embora não literalista) das Escrituras – que ironia. Mas antes que os amigos torçam seus narizes contra mim, quero desculpar-me de tão insólito uso do corpo de Judas, que não quero roubar, de forma alguma. Meu exercício de imaginação não terá a pretensão de significar o que Judas quis dizer, naturalmente. É claro que não estou fazendo exegese. Ao menos, não exegese bíblica.

Talvez, sim, exegese de um comportamento realmente diabólico, esse, de tentar roubar o corpo dos outros, ora. Isso, de fazer roubo semântico, é outra coisa. Ladrões de corpos, violadores de túmulos! Saqueadores criminosos esses hermeneutas que querem usar a superfície dos outros para ganhar o amor dos homens.

Diabolicamente enfiando-se nos braços, nos olhos e na língua que um dia foi de Moisés, e do Espírito de Deus – de ambos – para dizer algo que não é mais a mentira absoluta, que seria nada (em verdade, que não é), nem a verdade, que disse Moisés, mas para dizer uma síntese perniciosa que tem, corpo de verdade, mas espírito de mentira. É a verdade vazia que tem o cheiro, as rugas, o pêlo e o timbre da verdade, mas que é realmente outra coisa. E é difícil mostrar a mentira; afinal, se parece tanto com a verdade!

Um teólogo "diabólico" fará qualquer coisa para ser amado como Moisés, ou como Jesus, ou como Paulo, ou como os doutores da igreja. Sei o que digo, já o vi antes. Ele se sujeitará a usar aquelas palavras ignóbeis da tradição cristã, e consumirá tempo precioso se esforçando para obter um ponto de contato com o evangelho; aceitará em si as rugas e o fedor de alguns dogmas, e finalmente acreditará ser a própria re-encarnação de Moisés, o novo Moisés, com a mesma cara de antes – “mas com um melhor coração, enfim!” E tudo isso para esmolar a atenção complacente deste mundo podre. Pobres diabos-gagos. Seu último estado tornou-se pior que o primeiro.

“Misticismo semântico”: expressão Schaefferiana, para designar a ilusão de que o mero uso da linguagem cristã tornará o nosso discurso cristão, mesmo que sua carga semântica seja fruto de nossa própria imaginação filosófica. Como se as palavras dessem a luz ao sentido, e não o sentido às palavras; como se as meras palavras pudessem criar espírito e realidade, tal qual um “pó de pirlimpimpim” teológico.

"Misticismo Semântico": expressão especialmente desprezada e, até mesmo, odiada, capaz de fazer queimar o ventre de alguns teólogos. Desprezada, como não? Que pode um Schaeffer contra um Schleiermacher, ou um Tillich, ou um Bultmann, ou um Ricoeur, ou um Queiruga, ou um Rubem Alves, ou uma dessas Emílias que infestam os seminários teológicos? Que audácia! Sem dúvida, admito, precisamos submeter essa expressão a um tratamento mais sofisticado. Pobre Schaeffer; era um evangelista, não um filósofo, e muito menos um especialista em filosofia da linguagem religiosa.

Mas vou eu em sua defesa: ele conhecia o diabo o suficiente para enxergar o vazio sem fundo dentro dos olhos de algumas carcaças teológicas contemporâneas. Olhos tão parecidos com a velha tradição, tão brilhosamente evangélicos, tão impressionantemente consistentes mas... tão ocos de significado evangélico. Ou melhor, olhos tão cheios de outros significados, brilhando com luzes infernais, de sentidos infernais, quentes e vermelhos de revolta contra Deus.

Quem tem olhos para ver, veja. Isso não é coisa de somenos. Há crentes que apontam o poder do leão, e respondem tranqüilos: “o evangelho não precisa de defesa; só precisamos mantê-lo livre.” Pura inocência. Ainda mais com essa estratégia perversa de roubar o corpo dos outros. Como saber se aquele leão também é oco? Ou se está cheio com o pai da mentira?

Por isso Miguel descerá do céu, de novo, e de novo, e de novo, e contenderá pelos corpos de Deus, mesmo que sejam corpos mortos. E o diabo contenderá também; e os simples ficarão horrorizados: “porque tanta disputa em torno de um corpo? Porque tantas lágrimas e violências para guardar essas formas mortas, se o que importa é o espírito?”

Sim, o que, afinal, se pode fazer com esses ossos secos e empoeirados? Porquê submeter-se a horas, dias, e anos, de análise conceitual e reflexão, para demonstrar que a carga semântica de um certo discurso teológico é, finalmente, uma corrupção enganosa da verdade, do sentido que o evangelho nos trouxe? Porquê defender com unhas, dentes e mentes, o teísmo clássico, ou as duas naturezas de Cristo, ou sua unidade pessoal, ou a universalidade do pecado, ou a ressurreição literal dos mortos, ou a expiação vicária, e todas essas velharias dogmáticas?

Deus sabe o porquê. Deus e seus anjos o sabem, sim, mas principalmente, o diabo.

Convoca pois, o Senhor, anjos, para descerem de suas nuvens de apatia e desembarcar ali, onde um velho corpo é possuído, e dar luta ao pai da mentira. Quando aprouver a Deus, este velho corpo será ressurreto, e seus olhos estarão cheios do Espírito Santo. E seu rosto brilhará, com ainda maior brilho, e não haverá véu que oculte sua luz.

Até lá, - que saudade! – se temos apenas estes corpos inertes de tradição religiosa lançados aí, num canto, que seja. Os anjos chamados, fiéis em busca de compreender, estarão de guarda, esperando pacientemente pela ressurreição. E nossas espadas analíticas estarão prontas contra o diabólico misticismo semântico.

15 Comments:

Blogger Solano Portela said...

Caro Guilherme:

Brilhante ensaio, aproveitando o gancho da proposição bíblica. Realemente, ela não nos diz muito, em detalhes o que foi essa batalha e qual o seu sentido último. No entanto a batalha de Satanás, pelos corpos, como receptáculos através dos quais a mente se projeta e se comunica, na existência presente, é constante e dependemos totalmente da proteção de Deus. Essa proteção é tanto para nós quanto contra aqueles que já entregaram tanto a sua mente como corpos a Satanás, especialmente os travestidos de teólogos da modernidade, com o seu destrutivo misticismo semântico.

Um abraço e parabéns,

Solano

3:34 PM
Blogger Augustus Nicodemus said...

Caro Guilherme,

Gostei muito do seu texto. Criativo, inteligente e teologicamente perspicaz. O que você escreveu reflete a realidade. Somente através do corpo de Moisés é que o diabo tem chance de tentar enganar o povo de Deus. Nossa segurança é que Deus não permitirá que os eleitos sejam enganados.

Um grande abraço,

Augustus

5:41 PM
Blogger Charles L. Grimm said...

Muito bom este texto!

Realmente, o que tem de 'Emílias' por aí... nem no sítio do pica pau amarelo! :-)

2:54 AM
Blogger Norma said...

LINDO, Guilherme! Há tempos não leio um texto que trate propriamente de teologia com tanta criatividade formal-estilística-interpretativa. Adorei de cabo a rabo. Só não gostei de uma coisinha: a Emília de Lobato não merece ser associada a essas crápulas mortos-vivos... :-)

Vou recomendar a todos! Abração!

5:59 PM
Blogger Nagel said...

Parece que o diabo encontrou o poder da síntese. Por que negar a verdade se ele pode misturá-la sutilmente coma a mentira, a ponto de confundir os mais desatentos?

"Deus", "graça", "liberdade", todas palavras roubadas e preenchidas pelas mais variadas fantasias.

Abraços.

10:16 PM
Blogger Oswaldo Viana Jr said...

Eis a passagem: (Epístola de S. Judas, Cap. único, v. 9): "...o arcanjo Miguel, quando disputava com o diabo, discutindo a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a pronunciar uma sentença injuriosa contra ele, mas limitou-se a dizer: O Senhor te repreenda!"

O mais poderoso anjo preferiu deixar para Deus o julgamento do diabo, não?

11:18 PM
Blogger Caio Kaiel said...

Este texto foi indicação da amiga Norma Braga, mas sua sabedoria foi indicação de Deus. Obrigado.
Quanto ao texto, tomarei cuidado com os corpos alheios.

Deus te Abençoe Irmão.
Abraço.

10:44 AM
Anonymous Anônimo said...

nesse últimos dias, temos observado muitas "baboceiras" teológicas que mais causam dissensão do que edificação em Deus. Sou cristão a mais de 5 anos e pela graça de Deus recebi a tarefa de ministrar aulas na escola dominical e enfatizo muito os fundamentos sagrado da bíblia com meus aluno e não percam tempo com aquilo que não fundamentará a vida deles. Oremos para que Deus levante homens e mulheres comprimossados com a ortodoxia Bíblica a fim de sermos cooperadores de Senhor.

10:00 AM
Blogger Lou said...

Sua premissa teológica é o da salvação para alguns (os tais escolhidos). Com essa base, você desenvolveu um lindo texto. Interessante e cativante. Caso o Salvador tenha intenções maiores que as tuas (salvar toda a corja de pecadores, os maus pregadores e escritores entre eles, por exemplo) você poderá conviver com eles na vida eterna. Ore para que sua teologia seja a melhor, caso contrário, você correrá o risco de ter que servir a mesa onde esses hereges e ladrões do corpo de Moisés sentar-se-ão.

12:39 PM
Blogger Rev. Jonathan said...

Maravilhoso texto!
Parabéns!
Nao sei o que mais dizer agora...
Deus te abencoe Guilherme!

12:00 AM
Blogger Mauro Meister said...

Guilherme,

Bem atrasado, vi seu post. É isto mesmo... temos que lutar pela fé contra o misticismo semântico que invade nossas escolas teológicas e sites que ainda insistem em se chamar de evangélicos.

Vc deve lembrar que é que dizia ser 'a metamorfose ambulante'... antigo professor seu! Ele também dizia que era necessário 'defender-se dos defensores de Deus'.

abs
Mauro

8:50 PM
Blogger Allan Ribeiro said...

Hmmmmmm... um pensamento que faria muito sentido se em outros locais da Bíblia se relatasse a tentativa do rapto por Satanás de outros corpos (por que não o de Abraão, ou de Adão?).

Creio de outra forma:
Elias não morreu. Moisés morreu, mas o seu corpo foi disputado por um anjo. Os dois aparecem juntos a Jesus, Pedro, Tiago e João no monte. Depois, no início do livro de Atos, aparecem dois varões (não anjos, mas homens) e dizem aos seguidores de Jesus que Ele havia subido ao Céu para retornar da mesma maneira. No fim, em Apocalipse, duas testemunhas: elas poderão fazer fogo sair de suas bocas e impedir a chuva na terra por três anos e meio (quem fez isso em vida?!). Também serão capazes de converter água em sangue e ferir a terra com pragas (novamente, quem fez isso em vida?).

Tire suas próprias conclusões, como eu tirei as minhas. A Bíblia é um livro com uma estrutura fantasticamente interconectada e nada está ali por acaso. Estes pensamentos não são originalmente meus, mas eu os analisei muito e creio que são assim.

Mantenho um blog sobre apologética e filosofia. Gostaria muito se o irmão pudesse visitar e divulgar. O endereço é equipandoossantos.blogspot.com .

Abraços fraternos,

Allan Ribeiro

6:53 PM
Blogger Guilherme Carvalho said...

Caros amigos,

agradeço os comentários positivos - especialmente os da Norma - é que seus olhos são agudos, como se sabe!

Gostaria apenas de esclarecer ao Lou que meu texto não tem a intenção de dizer algo sobre o destino eterno de fulano ou beltrano, nem de falar de predestinação (embora eu seja mesmo um calvinista). Estou falando de idéias, e de seu significado religioso. Falando polemicamente, mas é isso.

Quanto ao Allan: é uma pena que vc não tenha captado a força do texto. Eu quis produzir uma impressão estética para reforçar uma crítica metodológica da teologia contemporânea. Me desculpe, mas o destino do corpo de Moisés não interessava, enfim, para a minha discussão...

abraços,

Guilherme

8:27 AM
Anonymous ailton said...

na minha opinião, satanas queria induzir o povo de deus a adorar o corpo de (moshe) moises, para desviar toda atenção de deus. sabemos que o intuito do diabo é fazer que o foco da adoração seja para ele.sabemos tb que o seu dia está chegando e o lago de fogo ardente está preparado para ele.que o nome do senhor de israel seja louvado em toda terra.amem

2:26 PM
Anonymous ailton said...

parabens pelo seo blog, e que deus lhe abençõe em nome de jesus.

2:28 PM

terça-feira, 11 de abril de 2006

Teologia Radicalmente Evangélica

Revirando meus papéis em busca de uma fatura desaparecida, encontrei o discurso de formatura que eu escrevi para meus alunos da FATE BH. Foi a minha última turma naquela faculdade; uma turma jóia. O discurso foi lido em 12 de Julho de 2005 pela minha esposa, e representa bem o que penso sobre o desafio de ser evangélico hoje, especialmente nos círculos pensantes.


Agradeço aos meus alunos pela escolha do meu nome como paraninfo da turma. Este prazer só não será completo devido à minha ausência necessária.

Estou certo de que essa escolha reflete o nosso relacionamento ao longo do curso. E como o nosso relacionamento sempre girou em torno de uma mensagem, que permeava nossas aulas e conversas de corredor, tenho certeza de que essa escolha reflete o impacto positivo dessa mensagem na turma.

E qual é essa mensagem? A mensagem a respeito da radicalidade do evangelho.

Os ouvintes podem se surpreender com essa declaração, por sua aparente banalidade. Afinal de contas, não é verdade que todos os cristãos afirmam a radicalidade do evangelho? Não é isso o pressuposto nos seminários evangélicos? Não é esse o tema dos púlpitos, dos livros e dos cânticos?

Infelizmente, não. A igreja evangélica vive uma grande crise de legitimidade e de fundamentação. Essa crise é bem conhecida entre aqueles cristãos mais informados. Na busca, em si legítima, por um impacto mais significativo na sociedade, os evangélicos tem se adaptado acriticamente a posições políticas, ideológicas e econômicas humanistas, e a níveis de moralidade inaceitáveis, do ponto de vista das Escrituras.

Um dos setores nos quais essa acomodação tem se apresentado de forma mais evidente é o da teologia evangélica. A reflexão sobre a fé e a práxis evangélica tem lutado desesperadamente por legitimidade e eficiência, no interesse sincero de contribuir para a missão da igreja.

Entretanto, por uma ingenuidade filosófica, muitos pensadores evangélicos vem renunciando à radicalidade do evangelho, submetendo-o a padrões de pensamento cuja raiz é patentemente pagã.

Permitam-me repetir o que eu disse em sala de aula inúmeras vezes: isso não é radicalmente evangélico.

Não é radicalmente evangélico tentar compreender o evangelho a partir da mente secular, pois "o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, nem pode entendê-las, pois elas se discernem espiritualmente". Não é radicalmente evangélico acreditar que nossa compreensão do evangelho é totalmente condicionada e fundada pelo nosso contexto de origem; pois, "se alguém não nascer de Novo, não pode ver o Reino de Deus". O efeito historicamente comprovado desse tipo de hermenêutica tem sido a secularização do cristianismo, e o comprometimento da verdade cristã. Como Francis Schaeffer disse tantas vezes, ao dar-se autonomia à natureza, ela "devora a graça". Ao conferir a autonomia aos processos de pensamento utilizados na teologia, a "razão natural" devora a "fé".

O que seria, então, "radicalmente evangélico"? Nada menos que reverter completamente essa situação. Radicalmente evangélico seria compreender a mente secular a partir do evangelho; seria acreditar e aplicar o evangelho como chave hermenêutica radical para destravar a realidade, ao invés de tentar ler o evangelho a partir de uma suposta "realidade do leitor".

Para muitos cristãos sinceros essa posição é vista como "fundamentalismo". Não é o momento, aqui, para discutirmos a propriedade desse rótulo. Quero, no entanto, desafiar os meus alunos a não se incomodarem com isso. O mínimo que um teólogo cristão precisa fazer é se submeter a tais injustiças com coragem. Se existe uma forma de seguir a Cristo com a mente, ela certamente envolve levar o "opróbrio de Cristo" - a vergonha de confiar no Senhor de todo o coração e não se estribar no próprio entendimento.

A partir deste desafio, poderemos reconhecer as amplas implicações de um pensamento radicalmente evangélico. E a práxis da Missão Integral será, agora, entendida no sentido mais pleno possível: a missão de constituir uma cultura cristã, expressando o poder redentivo do evangelho em todas as esferas da vida: na política, na arte, na ciência, na caridade, na educação - enfim, na totalidade da vida humana. Como o expressou Abraham Kuyper, em sua célebre declaração:

"Não há um só centímetro, em toda a extensão da vida humana, sobre o qual Cristo, o Senhor de todos, não clame: isto me pertence."

É a minha oração que isso se cumpra na vida e no ministério de cada um de vocês. Que o evangelho seja crido e domine radicalmente todas as áreas de suas vidas, de tal modo que, um dia, as pessoas digam a seu respeito: não há um único centímetro na vida dessas pessoas que não pertence a Cristo!

Amem, e que Deus os abençoe.

Pr. Guilherme Carvalho