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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Há um Futuro para o Movimento Evangélico?


Foi muito comentada a reportagem da revista Época sobre os "Novos Evangélicos"; celebrada por uns, criticada e até mesmo ridicularizada por outros (e não sem razão, diga-se). Agora que o susto passou e o "corpo" foi recolhido, acho que posso arriscar uns palpites sobre a "causa mortis".

Mais de uma vez ouviu-se o óbvio: que o mago da reportagem jogou numa cartola só todas as alternativas às igrejas mais tradicionais (históricas e pentecostais) e às neopentecostais, e tentou tirar dali o coelho da "Nova Reforma". É claro, foi um truque. Deu pra ver que o coelho era de plástico. Sem contar com o fundo falso da cartola da “Época”.

Mas não é que nada de novo esteja acontecendo. Há coisas novas acontecendo sim - especialmente as coisas menos conhecidas ou "anônimas" que aparecem na reportagem, como a Comunidade 242 e a banda de rock Palavrantiga - e há coisas acontecendo que nem aparecem na reportagem. O que não é novo é o que alguém ironizou como os "novos reclamantes", apresentados na reportagem como os "novos reformadores". Tudo estaria errado: parte dos "novos evangélicos" são na verdade os velhos evangélicos, alguns mais tradicionais, outros mais inovadores, reclamando juntos da grande crise evangélica. E os "evangélicos" da reportagem (neopentecostais, principalmente) são essa forma de evangelicismo defectiva e doente que conhecemos; como se fosse uma laranjeira grande, viçosa, folhuda, mas que dá laranjas esquisitas, pequenininhas e azedas. Esse tipo de árvore confunde a gente.

E muita gente atacou a reportagem: "O que é isso, Novos Evangélicos? Isso é a Globo, dividindo o povo de Deus!". Vários "reclamantes", no entanto, botaram lenha na fogueira: "É, a Época misturou um pouco as coisas, mas precisamos mesmo nos separar dessa laranjeira estéril". Sim, não nos esqueçamos dos “reclamantes dos reclamantes”, vociferando contra ambos os grupos. A pergunta de quem observa é a mesma: "Há futuro para o movimento evangélico"?

Sim
Isso é o que dizem apóstolos, bispos e pastores neopentecostais, diversos ministros de megaigrejas baseadas no paradigma moderno de religião, e a massa de crentes comprometidos com a "cultura gospel": está tudo indo muito bem, a vitória será completa, o povo de Deus vai dominar este país e ai de quem se opuser a isso. A rede Globo e os crentes que desafiam os novos apóstolos cairão sob o juízo de Deus e serão amaldiçoados. (Confesso que gosto da parte sobre a Globo).

Não
Assim dizem alguns dos "reclamantes", assim como os "reclamantes dos reclamantes": o movimento evangélico está falido, não há saída, não há esperança. Vamos esperar por algo novo. Não sabemos o que será, mas sabemos que não é o que conhecemos. Precisamos nos livrar da ortodoxia endurecida dos evangélicos mais fundamentalistas (especialmente dos calvinistas do Mackenzie e dos assembleianos doutrinários - isso é o que se diz por aí), assim como do neopentecostalismo, e partir para outra: para um cristianismo honesto, voltado para a cultura, não-dogmático, dialógico etc. E aqui às vezes se mistura de tudo: igrejas tribais e multitribais, emergentes urbanos, movimentos anti-institucionais como as igrejas nas casas, e muita gente do movimento de missão integral.

Talvez
Certo, pode parecer fácil indicar uma terceira via depois das duas caricaturas horrorosas que eu pintei logo acima, mas na verdade é bem difícil. Todo mundo identifica facilmente essas caricaturas. Quanto ao meu palpite, tenho sérias dúvidas. Sou o único que conheço pensando assim (talvez isso não seja um problema; não conheço muita gente mesmo). Enfim, as caricaturas são necessárias às vezes. Perdoem-me. Quero apresentar meu palpite com traços grossos e de forma impressionista.

E aí vai: se houver um futuro para o movimento evangélico, ele estará no Evangelho.

Não quero ser bonitinho, nem santarrão, nem piegas - estou falando sério. Ouço notícias sobre pastores se tornando muçulmanos depois de anos de trabalho; assisto ao evangelho da prosperidade na televisão e a pregadores de jatinho passando como "Evangelho" coisas que desconheço completamente; testemunho líderes e igrejas inteiras ensinando salvação por meio de esforços religiosos; ouço CD's de adoração totalmente baseados na descrição de vivências psicológicas e de promessas de santidade, mas vazios do anúncio da verdade sobre Deus e sobre a Graça; leio trabalhos de teólogos latinoamericanos da missão integral propondo sínteses entre pensamento social humanista e o Evangelho; ouço e leio pastores evangélicos dizendo que não são mais evangélicos e pregando sínteses de libertarianismo humanista e cristianismo; ouço podcasts de pessoas que realmente - realmente - acreditam que Brian McLaren apresenta um caminho viável para o cristianismo na pósmodernidade.

Sim, estou me parecendo com um dos "reclamantes". Talvez eu seja um deles, não sei. Mas sei de uma coisa: a igreja evangélica já não tem muita certeza do que seja o Evangelho.

Muita gente, quando me ouve dizer essas coisas, reage efusivamente: "É isso mesmo, vamos criticar essa malandragem! O problema dos crentes contemporâneos é que eles não tem caráter! E esses pastores, então, manipulando a fé das pessoas? Precisamos denunciá-los na internet. Precisamos de arrependimento, de ensinar o custo do discipulado!".

Com o perdão da expressão, arrisco-me a dizer que o problema é "mais embaixo". Não se trata meramente de uma crise moral, ou de uma crise de caráter, mas de uma crise de fundamentos. O mero fato de alguns cristãos acreditarem que nossa maior necessidade seja uma reforma das instituições, ou uma reforma moral em direção a um comportamento mais coerente, ou uma atitude intelectual crítica e revolucionária, revela que eles fazem parte do problema. Eles nem começaram a entender o que está acontecendo.

O que quero dizer com "Evangelho", então? Ora, refiro-me ao que se entende classicamente como o Evangelho: o anúncio dos atos e da presença salvadora de Deus. O que está acontecendo com a igreja evangélica no Brasil é que o seu conteúdo está se perdendo. As pessoas não sabem quem é Deus; nem porque ele é trino; nem sobre a condição depravada do homem diante de Deus; nem sobre o alcance cósmico da obra de Cristo; nem o que significa viver sob a Graça; nem o que significa ter esperança. Não é que não saibam essas doutrinas, meramente (a verdade é que não sabem mesmo), mas que não sabem as realidades descritas por essas doutrinas. Tenho me encontrado com centenas de cristãos, desde o tempo em que fui professor de teologia, que simplesmente não sabem o que é o Evangelho. O seu relacionamento com Deus é baseado em seus sentimentos, em suas especulações, ou em regras religiosas, ou em esforços de santificação. Eu até já parei de evangelizar católicos. Agora evangelizo crentes.

Acontece que os evangélicos historicamente têm sustentado que não é a nossa boa vontade moral, nem a nossa coerência, nem são as nossas instituições os meios que "canalizam" o poder salvador de Deus, mas o Evangelho, como diz o apóstolo Paulo em Romanos. E por isso eles sempre cultivaram a expectativa de que a solução é ouvir e comunicar claramente o evangelho da Graça e da glória de Deus, ao invés de se fiar em técnicas, novos modelos, ou em inovações teológicas. Essa foi a solução no tempo de Paulo, no tempo de Agostinho, no tempo dos reformadores, no tempo de Wesley, no tempo de Kuyper, no tempo de Schaeffer. Por que agora seria diferente?

Não é que um evangélico não possa aceitar ou promover novidades úteis e enriquecedoras, mas que ser evangélico significa crer e reconhecer a prioridade da ação divina sobre a ação humana, da iniciativa divina sobre a boa vontade humana, da sabedoria divina sobre a engenhosidade humana. Para um evangélico genuíno, a salvação, a igreja e a missão começam com o grandioso fato de que Deus dirige a história, Deus se fez carne e está presente no Espírito Santo; somos servos desse fato que anunciamos como uma boa notícia, e é por isso que temos igrejas, missões, livros, CD's e websites. E é por isso que não vamos nos desesperar diante do fracasso do "movimento evangélico": não estamos aqui por causa dele, mas por causa do Evangelho, e é isso o que nos faz evangélicos.

Infelizmente, no entanto, as opções são poucas. De um lado, um imenso movimento religioso se desprega de suas raízes e perde a referência ao Evangelho. De outro evangélicos e ex-evangélicos em desespero procuram soluções não-evangélicas ou desistem de lutar pela herança evangélica.

Talvez haja um futuro para o movimento; talvez. Mas apenas se ele se simplificar e se alimentar do que tem de mais essencial, e que é precisamente a sua contribuição mais indispensável ao movimento cristão mundial: uma compreensão clara e prática do Evangelho. Para isso, no entanto, será necessário abandonar a arrogância à direita e o desespero à esquerda.

Alguns fatos intrigantes
Para dar mais "carne" ao meu argumento, creio ser importante introduzir o leitor a alguns fatos intrigantes. Em primeiro lugar - e isso não é novidade - a crise do movimento evangélico não é só no Brasil. Seus sinais estão nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Holanda, na África do Sul e em outros países latinoamericanos. Os movimentos anti-institucionais, o pós-evangelicismo e a "igreja emergente" em particular vêm pipocando já há algum tempo, como um testemunho da erosão no evangelicismo.

O maior problema desses movimentos é que sua marca unificadora não se encontra no conteúdo, propriamente, mas na forma e na resposta ao momento histórico. Em termos de conteúdo, oferecem um espectro de opções que vão de reformados a liberais, de evangélicos a pós-evangélicos; mas todos concordam, de um modo ou de outro, que a posmodernidade exige uma transformação da igreja e da missão. Nesse sentido, é problemático falar em "Nova Reforma". O que há é uma fragmentação sem precedentes, espelhando o esfacelamento da mente moderna.

Não por acaso, dois movimentos opostos e muitíssimo significativos se desenrolam simultaneamente aos movimentos "emergentes". O primeiro é o aumento das conversões de evangélicos para o catolicismo. Isso está acontecendo em diversos lugares, mas tornou-se muito visível recentemente nos Estados Unidos. Muita gente sabe que Rich Mullins, um famoso e genial cantor e compositor evangélico americano, morreu pouco antes de oficializar sua passagem para o catolicismo; mas pouca gente sabe que Francis Beckwith, famoso filósofo cristão americano, demitiu-se da Presidência da Evangelical Theological Society em 2007 anunciando publicamente seu retorno à Igreja Católica Romana. O movimento hoje é tão intenso que foi comentado no website "Religion Dispatches" como uma tendência emergente no mundo evangélico.

O outro movimento é a ressurgência do calvinismo em todo o mundo - para o desespero de arminianos, de católicos e de emergentes mais "conversacionais". A revista Time publicou em março de 2009 uma lista das "10 Ideias que Estão Mudando o Mundo Agora", e lá estava, entre elas, o "Novo Calvinismo" (veja a tradução em português do artigo aqui). Além do mais antigo e muito mais intramundano neocalvinismo holandês, há agora os "novos calvinistas", um movimento fortemente teológico e evangelístico que enfatiza de forma explícita a visão reformada da soberania de Deus, do pecado e da Graça, por meio de abordagens evangelísticas e eclesiológicas inovadoras, do que o exemplo mais popular é Mark Driscoll. E isso não é só nos Estados Unidos: no Brasil é fácil encontrar muitos desses calvinistas que nem são presbiterianos; há agora calvinistas batistas, assembleianos, carismáticos e sem denominação emergindo por todos os lados. Exemplo óbvio é o público reunido pela Conferência Fiel no Brasil e em Portugal.

Uma interpretação
Vou me arriscar a interpretar esses fatos. O que ocorre é que o movimento evangélico está fracassando e ao mesmo tempo não está fracassando em manter sua identidade mais fundamental: o anúncio claro e consistente do Evangelho. É a perda do evangelho o que se manifesta no movimento da prosperidade; é a confusão sobre o evangelho que se mostra na diversidade teológica irreconciliável do movimento emergente; é a dúvida sobre o evangelho o que torna plausível, para muitos evangélicos, o retorno à igreja católica; e é exatamente a profunda consciência desse tesouro o que motiva os novos calvinistas (entre outros evangélicos) a tentarem uma restauração do espírito do evangelicismo.

Um exemplo muito interessante dessa última iniciativa, na América do Norte, é "The Gospel Coalition" ("A Coalizão do Evangelho"), uma associação de indivíduos e igrejas comprometidos com a centralidade e a pureza do Evangelho, em oposição franca à recatolicização e ao pós-evangelicismo de alguns emergentes. Entre os participantes encontram-se nomes conhecidos como John Piper, Tim Keller, Don Carson, Mark Dever, Collin Hansen e, é claro, Mark Driscoll.

E não é por acaso que vários integrantes desse movimento sejam calvinistas assumidos. Todos são bem claros em afirmar a herança reformada, mas não por estarem submetidos a certas exigências denominacionais, ou por serem presbiterianos, como o leitor desavisado poderia pensar. Pelo contrário, boa parte desses calvinistas nem mesmo está encaixada em uma denominação reformada. O seu testemunho tem sido muitíssimo prático: que as verdades do senhorio de Cristo sobre todas as coisas, da providência divina, da depravação total e da soberana da Graça têm produzido frutos de arrependimento, de gratidão e de mudança de vida. Há um consistente entusiasmo com a redescoberta do amor de Deus e da prioridade da iniciativa divina sobre a vontade humana. Não por acaso, como observou Collin Hansen num artigo recente, várias dessas novas igrejas, ao mesmo tempo reformadas e contemporâneas, estão florescendo em lugares extremamente secularizados aos quais os outros evangélicos não conseguem mais ministrar, como Seattle, Washington e Manhattan.

Nesse sentido, seria muito justo dizer que esses líderes e igrejas estão se tornando mais evangélicos. E isso precisa nos levar a uma séria reflexão. Nos Estados Unidos o movimento evangélico se desfaz com o evangelho da prosperidade, com o movimento emergente e com as conversões ao catolicismo, mas se refaz, por outro lado, com uma maior unidade em torno do Evangelho; mas será uma casualidade que esse Evangelho redescoberto seja exatamente a visão reformada do Evangelho? Creio que não.

E no Brasil?
Também não creio que isso seja só uma questão do contexto americano - falar nisso em pleno século 21 é besteira. Não apenas porque temos aqui todos os problemas que eles têm lá - evangelho da prosperidade, neopentecostalismo, movimentos emergentes, pós-evangelicalismo -, mas também porque já não faz mais sentido identificar contexto e nacionalidade ou contexto e localidade. Não na era do ciberespaço e da globalização.

Ao que parece, as enxurradas de valores, práticas e mentalidades modernas, e agora pósmodernas, estão castigando violentamente o movimento evangélico e lavando toda a terra solta que for possível. Sinto que a confusão neopentecostal, o retrocesso ao catolicismo e o cinismo emergente e/ou pós-evangélico sejam somente essa terra solta. Talvez até mesmo os que não veem esperança na fé evangélica sejam apenas mais terra solta. Ficará sob a enxurrada o solo firme de espíritos genuinamente evangélicos. Aqueles que desejam fundamentar a espiritualidade, a igreja e a missão na verdade de que Deus é o salvador, e que ele está presente, antes e independentemente de todos os nossos esforços, fracassos e sucessos. E tenho graves suspeitas de que tais espíritos serão, não por acaso, reformados em sua maioria.

Creio que há um futuro para o movimento evangélico, mas falo apenas por mim. Eu não sou evangélico porque o movimento evangélico deu certo. Sou evangélico por causa do Evangelho. E se realmente o leitor pensa que "voltar ao Evangelho" é uma solução pueril, seu problema não é com o movimento evangélico, e sim com o cristianismo. Pois a coisa mais cristã de ser evangélico é acreditar no que o Evangelho diz: que Deus está presente por causa de Cristo, e por isso há esperança.

terça-feira, 25 de maio de 2010

A Busca da Felicidade e a Missão da Igreja Hoje

Caros leitores,

a propósito dessa nova discussão sobre a inclusão do "direito à felicidade" na constituição brasileira (veja AQUI), deixo um texto que em breve será publicado em outro lugar. Começamos essa discussão no L'Abri em 2008, e tenho certeza que ela ainda vai longe!

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Há quase duzentos e trinta e cinco anos, em 04 de Julho de 1776, os fundadores dos Estados Unidos da América aprovaram, no Segundo Congresso Continental, a sua declaração de independência. O teor dessa declaração trouxe profundas implicações para a história do mundo até a atualidade:

“Nós sustentamos serem essas Verdades autoevidentes, de que todos os Homens são criados iguais, e que são dotados por seu Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais estão a Vida, Liberdade, e a Busca da Felicidade – e que para assegurar esses Direitos, Governos são instituídos entre os homens [...]”

E assim, pela primeira vez na história do mundo, a felicidade deixou de ser um luxo, ou uma ilusão cinicamente desprezada, ou um objeto de atenção filosófica e de inquirição pessoal, para se tornar em um projeto sociopolítico. Desde então se tornou matéria de direito natural, de princípio político, de projeto cultural.

Cada um de nós foi de um modo ou outro atingido por essas idéias: elas influenciaram meus conterrâneos, na inconfidência mineira; influenciaram os revolucionários franceses, e assim, indiretamente, aos republicanos brasileiros; e formaram a base de um sistema de cultura no qual estamos metidos até o pescoço. Por isso não apenas americanos, mas brasileiros, europeus, africanos e asiáticos se identificaram com o personagem principal do filme “À Procura da Felicidade”, estrelado por Will Smith. No filme o personagem confessa abertamente que “Thomas Jefferson era um gênio” – Jefferson foi redator da Declaração de Independência.

Quem assistiu ao filme com atenção pode ter sentido um pequeno incômodo. Não era um filme meloso sobre Pai e filho; era um filme sobre política. O diretor contou uma história, e com ela quis dizer: é assim que deve ser, oportunidades iguais, seja para o pobre, seja para o rico; se você lutar de verdade, você pode vencer na vida. Não será fácil, mas você pode chegar lá. Ninguém vai facilitar, nem dar nada de mão beijada; mas as estradas para a felicidade são públicas e democráticas. E no fim do filme ficamos sabendo que o personagem se tornou muito feliz. Pois ele ficou milionário...

De certa forma, era disso mesmo que a declaração de independência falava. Pois suas idéias sobre direitos naturais do homem se baseavam em John Locke, que falava, hora em “busca da felicidade”, hora em “propriedade”. De fato, na Constituição Americana, escrita doze anos depois, a quinta emenda substituiu “busca da felicidade” por “propriedade”, falando assim em “Vida, Liberdade e Propriedade”.

Uma vez livres do rei da Inglaterra os norte-americanos puseram-se a buscar a felicidade, através da propriedade; e quando o sistema econômico se metamorfoseou de capitalismo mercantil para capitalismo industrial, e depois para capitalismo de consumo, o conceito de felicidade também se metamorfoseou.

E assim chegamos ao mundo de hoje: felicidade é consumir: ter poder de compra, para desfrutar das mídias (televisão, internet, celular), para adquirir produtos atualizados... Trabalhar, sim, para poder consumir mais. Poupança não; comunidade não; o que se quer nessa sociedade é ser livre para fazer escolhas, para customizar a totalidade da experiência. Para tanto, o melhor é sermos uma sociedade de indivíduos que buscam narcisicamente a própria satisfação.

Nessa sociedade de indivíduos-consumidores, que Gilles Lipovetsky chamou de sociedade de hiperconsumo, dá-se um paradoxo: na medida em que aumenta o conforto, o prazer, o consumo, a satisfação dos desejos, aumenta igualmente a depressão, a frustração com os relacionamentos; a infelicidade. Que busca é essa, que não chega?

O mercado se alimenta da infelicidade, na medida em que manipula, refina e departamentaliza a insatisfação humana; mas também oferece fantásticos substitutos da religião, promovendo a sua oni- “Presença” (como certo Banco brasileiro) e seu poder de realizar fantasias. E como o prazer exterior é efêmero, o mercado desenvolveu também a possibilidade de renovar permanentemente as experiências de alegria através do aperfeiçoamento dos produtos e do atendimento.

Nesse universo, o Estado é o grande mediador. Ele passa a existir para mediar o relacionamento entre indivíduos narcisistas, que já não sabem viver em comunidade, e não conseguem resolver nada a não ser por meio de leis; e mantém também o mercado sob controle. Torna-se assim uma espécie de “gerenciador do narcisismo”.

Sem dúvida, há muitas pessoas e instituições trabalhando por fins mais nobres, como o fim da fome, da pobreza, da exclusão social, do preconceito. E o governo Brasileiro tem se mostrado solícito no apoio a essas iniciativas, além das suas próprias realizações. Mas precisamos ser honestos o suficiente para reconhecer que o fim disso tudo é quase sempre integrar todas as pessoas em um mesmo sistema cultural doente, que é o sistema da busca narcísica da felicidade.

Podemos nós, cristãos evangélicos brasileiros, falar em felicidade nesse universo? Eu creio que sim.

Ao invés de desenvolver técnicas de manipulação do desejo (como o mercado) ou meramente administrar e mediar entre indivíduos narcísicos (como o Estado), a Igreja deve pastorear o desejo.

Não se trata de negar a tecnologia, nem os seus benefícios, nem de proibir o consumo, nem de reprimir a liberdade individual; mas de mostrar a verdadeira relação dessas coisas com a felicidade. Pastorear o desejo significa ensinar às pessoas a verdadeira felicidade, libertando-as do narcisismo e das falsas promessas da sociedade de hiperconsumo para a fé em Cristo, e ensinando-as a utilizar os benefícios da modernidade com responsabilidade, de forma cristocêntrica.

Eu consideraria esse um dos maiores desafios da Igreja hoje: mostrar que os deuses desse Egito moderno são falsos, para que as pessoas se ponham a caminhar para o “deserto”, rumo à terra prometida. Segundo a minha percepção, anunciar Cristo como o caminho para a felicidade humana é lançar um tremendo desafio ao mundo moderno: pois implica em negar que o Governo e o Mercado sejam capazes de salvar os homens.

Anunciar o ano aceitável do Senhor significa anunciar o tempo de descanso para terra e da libertação dos escravos; a cura para os doentes e a restauração da vista aos cegos. No contexto da sociedade atual, o ano do Senhor implica também em ser livrado da necessidade acelerar o crescimento econômico e competir com a China, e assim conservar a biodiversidade brasileira; em ser curado da doença do desejo insatisfeito para obter o equilíbrio do amor; da cegueira narcísica para ver o outro além de mim mesmo; da escravidão do consumo individualista para encontrar deleite na comunidade e no serviço; da escravidão da carreira para dedicar tempo à família, mesmo sabendo que isso não ajudará em nada a ascensão profissional.

Tudo isso pode parecer difícil, mas não se trata de sacrifício heróico. Trata-se, antes, daquilo que deve acontecer quando vivemos a partir de um novo centro, que reorganiza as nossas prioridades. Trata-se de preferir o maná aos alhos e cebolas de Faraó.

A era hipermoderna e hiperconsumista é o tempo de uma nova missão; não apenas com o propósito de conquistar os não-evangélicos para as nossas igrejas, mas para alcançar todos os brasileiros com a Verdade. É urgente uma missão externa e também interna, que anuncie em Cristo a verdadeira felicidade, e eduque o povo de Deus para viver no mundo com sabedoria, sem cair no erro de tentar arrancar a felicidade das coisas temporais.

Se desejamos promover a felicidade do povo brasileiro, precisamos lutar pela melhora de suas condições de vida; mas precisamos também ensiná-lo sobre o que fazer com suas vidas. Precisamos apresentar uma resposta à moderna procura da felicidade; e a resposta é Jesus Cristo.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Essa é tradição oral (não está escrita):

"Viver em comunidade é o mais subversivo ato político que alguém jamais poderia realizar"

Andrew Fellows - L'Abri Inglaterra

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Tem jeito de ser Cristão sem Igreja?

É até um "lugar-comum" dizer que a igreja evangélica está em crise. Parece que ela vive em crise. É o seu estado normal. A afirmação nem tem mais apelo.

Quem se envolve de perto com a rotina das igrejas evangélicas sente-se às vezes bem cansado com a enorme distância entre as expectativas e promessas de realização religiosa e as misérias da divisão, da pobreza humana e dos conflitos de poder que acontecem lá dentro. Daí se pergunta: não tem jeito de ser cristão, sem igreja? ;-D

Kevin Vanhoozer e a Igreja

Acabei de ler o capítulo de Kevin J. Vanhoozer na coletânea The Futures of Evangelicalism: Issues and Prospects, editado por Craig Bartholomew, Robin Parry e Andrew West. O Título do capítulo é "Evangelicalism and the Church: The Company of the Gospel".

Vanhoozer é um dos interessantes teólogos ingleses que apareceram nos últimos anos. Embora não tão influente quanto McGrath, é sem dúvida interessante e tem algo a dizer. Sua tese de doutorado, publicada pela editora da Universidade de Cambridge, tratou de Paul Ricoeur (Biblical Narrative in the Philosophy of Paul Ricoeur: A Study in Hermeneutics and Theology), e ele vem lançando diversas obras muito ricas. Para citar duas: The Drama of Doctrine: A Canonical-Linguistic Approach to Christian Theology (O Drama da Doutrina: Uma abordgem canônico-linguística à teologia cristã) e Is There a Meaning in this Text? - Esta última traduzida pela Vida Acadêmica: Há um Significado neste Texto?

Pois bem; no capítulo Vanhoozer reconhece que o sucesso exterior da igreja evangélica mascara a sua fraqueza teológica quando o tema é "igreja". A eclesiologia evangélica está "no nível da pobreza". Um das razões disso tem a ver com a origem do movimento, que é extremamente "paraeclesiástico" e focalizado na salvação do indivíduo. Mas não é só a teoria eclesiológica que é ruim; a pobreza atinge a prática e a adoração evangélica, que tendem a se dobrar ao individualismo e ao consumismo.

Muita gente apontou o problema. Stanley Grenz (o autor daquele livro sobre pós-modernismo, da Vida Nova) observou que a identidade evangélica balança entre os pólos do proposicionalismo (doutrina correta) e pietismo (ênfase na piedade). Sua solução: que teologia seja vista como uma articulação do mosaico de crenças da comunidade cristã. O centro estaria mesmo no compartilhamento de uma experiência comum de fé. E a eclesiologia viria para o centro, substituindo a ênfase na doutrina correta.

A resposta de Vanhoozer a isso é muito interessante:

Que tipo de identidade Cristã as igrejas evangélicas deveriam nutrir? Me sinto infeliz com a dicotomia entre piedade e proposições. Eu quero a minha verdade, e quero sentí-la. A explicação bifurcada de Grenz da identidade evangélica relembra a análise bifurcada da modernidade em Kant. [...] Grenz, como Schleiermacher, simplesmente escolhe elevar a ética de Kant e a sua Crítica da Razão Prática sobre a sua metafísica e Crítica da Razão Pura. Mas o próprio Kant introduziu um terceiro termo: a imaginação. Eu creio que os evangélicos deveriam fazer algo similar (p. 50).

Ricoeur de fato discute bastante o papel da imaginação, em suas discussões hermenêuticas, desenvolvendo as idéias de Kant. Vanhoozer retoma isso na sua tese doutoral sobre Ricoeur, mostrando como a esperança está ligada à imaginação, etc. Mas veja onde ele chega com isso:

A identidade evangélica é melhor vista como formada pelo que podemos chamar de imaginação evangélica, ou seja, pelas narrativas bíblicas que apresentam o mundo como ele realmente é: criado, caído e redimido. Por imaginação eu não me refiro à capacidade de produzir imagens de coisas que naõ estão aqui, mas à capacidade de apreender uma dimensão da realidade que escapa à percepção sensória. A imginação é uma faculdade cognitiva distinta que capta diversas pessoas e eventos juntos em um tipo de visão sinótica; é a habilidade de captar diversas partes em termos de um todo (ou história) unificado (p. 51).

A importância do que Vanhoozer diz aqui não pode ser diminuída: de certo modo ele localiza a percepção da realidade das coisas - e isso vem de fato de Ricoeur, da noção de imaginação como "sonda" do real, e de Kant, enfim - na imaginação. Isso se encaixa bastante com muito do que Chesterton diz, sobre a percepção da realidade como algo além da mera coerência lógica. Com isso, ele relativiza o lugar do conhecimento doutrinal e da ética, introduzindo um elemento estético na percepção das coisas.

Ao mesmo tempo, ele não tira o lugar do evangelho para alcançar isso; o que ele faz é mudar o "órgão de percepção". Não é meramente a "experiência" (liberalismo) ou a "razão" (racionalismo teológico, fundamentalista ou não).

Ser evangélico, então, seria ser capturado pela narrativa evangélica; ter a imaginação aberta por ela, e perceber o mundo de outro jeito - como ele é de fato. Sem a narrativa, os contornos reais das coisas ficam difusos. Ser evangélico é, portanto, ter uma experiência de percepção diferente, além dos limites da mera razão ou da mera experiência. É "pegar" o sentido total da coisa.

Vanhoozer apresenta ainda algumas peças interessantes de crítica cultural e teológica; observa que boa parte dos evangélicos vê a igreja como um "soma de indivíduos", uma criação dos indivíduos (ao invés de criadora deles), critica a Macdonaldização da igreja (a técnica e a homogeneização dominando tudo), e avalia a tendência de alguns teólogos de elevar a idéia de comunidade - a eclesiologia - como o fundamento e o critério final da teologia (John Milbank, Stanley Hauerwas, John Howard Yoder e Stanley Grenz). Quanto à essa última tendência, bastante pós-moderna, ele responde:

Como temos visto, ser evangélico é insistir sobre a prioridade da palavra de Deus e dos atos de Deus sobre a fé, a resposta, ou as experiências de homens e mulheres e, eu adicionaria, sobre a fé, a resposta, ou as experiências de comunidades (p. 69-70).

"Muito bem", eu diria. E isso torna clara a visão de igreja de Vanhoozer: a "companhia do Evangelho". Para ele a igreja é o "tema", o "resultado", a "incorporação" e o "agente" do evangelho (p. 71). De sua fonte à sua missão, a igreja tem o seu centro no evangelho, na narração dos atos de Deus.

O que está bem de acordo com a definição da identidade evangélica como baseando-se na apreensão da narrativa evangélica, por meio da imaginação.

Daí Vanhoozer retoma as quatro "marcas" clássicas da igreja verdadeira - una, santa, católica e apostólica, e reinterpreta a falha evangélica em preencher essas características - especialmente a "unidade" - interpretando-as escatologicamente: em termos da dualidade "já/ainda não".

A solução é bastante útil. De fato ele já havia comentado antes que a tensão entre "igreja invisível" (pura) e "igreja visível" (imperfeita e ambígua) pode ser proveitosamente recolocado em termos do já/ainda não escatológico. Para os evangélicos, que lutam com o problema da fragmentação, o modelo explica bem.

Eu não faria justiça a Vanhoozer se não comentasse o quadro final que ele pinta a respeito da natureza da Igreja. Ele compara o evangelho como um "script", e a prática comunitária do evangelho - a igreja - como a "dramatização", do evangelho.

O termo "companhia", vem do latim: "com" + "panis" = "com pão". Vanhoozer sugere que a igreja compartilha a visão de Deus (teologia), uma mesa comunitária (ética) e também é uma "companhia teatral", que oferece interpretações do evangelho, superiores à própria exegese. Essas interpretações seriam a qualidade sobrenatural de sua vida comunitária: the playerhood of all saints.

Tem Jeito de Ser Cristão sem Igreja?

Vanhoozer ajuda a gente da dar uma resposta. Em algum ponto, discutindo se a eclesiologia é fundamental, a sua resposta foi "sic et non".

Sic

Sim, de certo modo. Porque o evangelho não vem da Igreja. A igreja é que é uma "criatura do evangelho". Ser evangélico é, portanto, reconhecer isso. É reconhecer que os atos de Deus tem prioridade sobre a resposta humana. E o evangelho é o anúncio, a narração desses atos salvadores de Deus. Ser evangélico - e este é o espírito da reforma - é anunciar a prioridade do evangelho.

Então, para um evangélico, a igreja nunca terá prioridade sobre o evangelho. Ela nunca será o seu juiz. Pelo contrário, ela sempre estará sob a sua bênção e o seu julgamento. É por isso, também, que ela é "semper reformanda".

E assim a espiritualidade genuinamente evangélica sempre será profundamente pessoal. Sempre apontará a necessidade de conversão pessoal, e do homem se tornar um indivíduo diante de Deus, responsável por sua escolha, de certa forma autor de si.

Non

Mas isso tudo soa tão moderno que me faz até bater os dentes. É, de fato. Olhando de perto, o evangelicalismo é bem moderno.

Vanhoozer faz o contraponto: precisamos da comunidade, porque é nela que o evangelho pode ser vivenciado, incorporado, agenciado. Acho que poderíamos dizer o seguinte: de fato, o evangelho é o princípio da igreja. Mas quem disse que ele é recebido e compreendido individualmente?

Acho que o ponto é este. É que a salvação trazida pelo evangelho não é "pessoal" no sentido de "individual". Ela é comunitária. Mais do que isso: ela é cósmica.

Então não dá para ser cristão "sem igreja". Cristão "sem igreja" é "semi-cristão". É como o fiel antes da vinda de Jesus Cristo. Crê em Deus, mas ainda está esperando o cumprimento da promessa. A vida cristã não é feita só de "ainda não". Tem que ter um "já", e um aspecto do "já" é a comunidade. Deus habita a comunidade. Não é o indivíduo meramente; é a comunidade o lugar da presença de Deus. Ele habita uma cidade. A Igreja é que é um corpo e um templo.

Sem Igreja Em Tempos Pós-modernos

Daí a dificuldade hoje. Pós-modernidade é em grande medida fragmentação, pluralidade, consumo, customização. As pessoas se revoltam contra tudo o que é "macro", ou "estrutural", ou "universal", ou "padronizado". Não existe "verdade única". Daí que muita gente acha que não precisa ser membro de "igreja". Cada um segue o seu coração, busca a sua experiência própria, diferente. Ninguém é igual.

Só que, com isso, ao invés de vencer a modernidade, a gente fica mais moderno ainda. Porque fica mais individualista, mais separado do outro, mais fraco diante das grandes forças de homogeneização - o Estado, o Mercado e a Mídia (na forma atual, a trindade do capeta ;-D).

E a imaginação? Como projetar o "filme" da narrativa evangélica sem uma "tela"? Como "representar" sem um "palco"? Ser cristão sem construir comunidade é aderir a uma idéia, não a uma vida. É matar aula no dia da prova. É sumir no dia do casamento.

Cristão sem igreja, no mundo de hoje, é a mesma coisa que nada.

Quer ser pós-moderno mesmo? Procure uma igreja de bairro.

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Igreja Local e Missão Integral: um olhar neocalvinista e um pouco subversivo


Há poucos anos atrás eu participei de um debate em minha igreja a respeito de sua verdadeira função. Era um debate político, mas acabou se tornando teológico. A questão era se a igreja deveria ou não manter uma fundação assistencial que estava trazendo prejuízos (não só financeiros). Então alguém disse, “Olha aí, isso desviou a igreja de sua missão, que é evangelizar”, e o argumento “pegou”; eu mesmo, na época jovem seminarista temeroso do liberalismo e da teologia da libertação, apoiei o desligamento da fundação.

Bem, ainda sou jovem (ou era, quando escrevi este artigo; ou talvez ainda seja...), não tenho mais medo do liberalismo (embora seja um evangelicista), e continuo pensando que foi correto o desligamento da fundação, mas os fatos teológicos e sociais me forçaram a admitir que minha concepção da igreja e de sua missão estava completamente errada. Sob o efeito entorpecente de uma forte mistura de escatologia alienante, antropologia gnóstica, missiologia umbigal e doutrinação ideológica, eu embarquei na viagem fundamentalista da irresponsabilidade – em nome da fidelidade à missão da igreja!

A "Viagem" da Irresponsabilidade

Apesar de tantos anos passados desde Lausanne e do CBE1, e da recente realização do CBE2, a consciência social do evangélico brasileiro médio é extremamente fraca, ou ausente. É óbvio, seria por demais simplista lançar a culpa deste estado de coisas sobre os ombros dos pastores; os crentes alienados são também produtos de uma sociedade alienada e alienante. Mas essa sociedade vem se mobilizando e, ao invés de esperar pelo paternal auxílio do estado, ou da filantropia empresarial, vem assumindo a responsabilidade por seu futuro. Organizações da sociedade civil se multiplicam realizando autonomamente as mudanças necessárias – ou pressionando por elas. Outro dia fiquei sabendo de uma criança de 10 anos que montou uma ong com outras crianças para promover a consciência ecológica. Pode?

E nós? Nós também! Nós nos mobilizamos com ardor, elegendo deputados que impedem leis desfavoráveis aos evangélicos, reivindicando direitos (e terrenos, concessões de rádio, etc), comprando ambulâncias baratinhas, e realizando inúmeros atos de misericórdia para com essa sociedade carente de saúde, tudo para cumprir melhor a nossa “missão”. E com a competência de CEO's do reino dos CÉUS (ou será do inferno dos CEOS?) absorvemos a energia, o dinheiro e o tempo dos crentes em nossos maravilhosos projetos eclesiásticos, juntando o máximo possível de gente na igreja. Afinal, o fim está próximo, e a música é boa...

A liderança evangélica se torna cúmplice da alienação na medida em que a mantém, conservando uma perspectiva teológica ultrapassada a respeito da missão da igreja. Missão não é só evangelismo; é também ação social. Na verdade, é ação social e muito mais; é a reforma do pensamento teórico, da ação política; é a redenção da arte e da literatura, da mídia, da família, e da tecnologia. O desenvolvimento de uma cultura cristã e a formação de cidadãos integrados, e integralmente cristãos – gente com consciência, com mente e mãos cristãs – é a nossa responsabilidade diante de Deus e do mundo.

Responsabilidade: eu gostaria de falar um pouco sobre isso. Ou, talvez, não. É muito desagradável descobrir-se responsável por força dos acontecimentos. Porque, em geral, isso significa que ocultamos de nós mesmos as nossas obrigações; mas elas nos perseguiram e agarraram-se em nossas calças, a ponto de não conseguirmos mais correr.

Acho que foi assim, comigo. A providência pôs-me diante dos fatos que minha teologia miudinha não conseguia dimensionar, e no fogo dos conflitos internos e eclesiásticos eu fui sendo reformado...

É claro que não basta falar em “responsabilidade” no sentido genérico; qual responsabilidade, ou que tipo de responsabilidade – essa é a questão. A qualidade de ação que pode renovar a missão da igreja, hoje, e conduzi-la de volta à essa palavra desagradável teria quatro características, segundo a minha percepção.

Integralidade

Em primeiro lugar, a nossa responsabilidade é Integral. Vem à mente o lema da FTL: “o evangelho todo, para o homem todo”. É aquilo a que nos referimos há pouco. Missão não é somente evangelização, mas a transformação de todos os níveis da vida humana, a partir do evangelho. Isso significa que o homem todo precisa de redenção, e que a missão precisa assumir esta abrangência. E a igreja local precisa compreender esta abrangência, olhando para seus membros e para os inconversos como seres completos, totais, e não como "almas" desencarnadas.

Alcance Planetário

Um outro termo, este, da moda: a nossa ação deve ter dimensão planetária. De novo, quero recorrer ao mote da missão integral: “o evangelho todo, para o homem todo, pelo mundo todo”. O cristão precisa pensar sempre no mundo todo. “Ide por todo mundo”, disse Jesus. Mas, além da vocação divina, outros fatos agora nos impelem com adicional força e urgência.

A consciência recente do homem quanto ao processo de destruição do planeta é o primeiro que eu apontaria. É claro que o dever para com o próximo sempre foi conhecido do cristianismo, mas o homem tem hoje uma consciência planetária, se entendendo como parte vital de um sistema biológico e sociológico global. Nós cristãos precisamos pensar nisso, tanto quanto nos preocupamos com o leite das crianças. Quanto a isso, no entanto, tenho ouvido as coisas mais absurdas. Do tipo: “Deus não permitirá que o mundo seja destruído antes de seus planos se cumprirem”. Ótimo. Então podemos emporcalhar bastante o mundo, pois Deus está no controle. É verdade, a Bíblia ensina que Deus é soberano. E também ensina: “não tentarás ao Senhor teu Deus”.

Sinceramente, não temos mais tempo para perguntar “se a nova era está metida nisso”. A criação é de Deus, a humanidade é de Deus, e a redenção se refere ao planeta. E se a “nova era” interrompe a caminhada para estender a mão àquele que está caído na beira da estrada, qual será o julgamento sobre nós, levitas e sacerdotes puríssimos e salvos pela graça?

E, o que dizer do desafio do islã (tomo-o como exemplo paradigmático)? Sim, nós sabemos, o islã tornou-se uma fé intolerante que ameaça o futuro do mundo ocidental. E sabemos que ele é uma apostasia do cristianismo, uma falsa doutrina. E que os muçulmanos que não conhecerem a Jesus irão para o inferno. Excelente, e muitíssimo ortodoxo. Mas enquanto eles não vão para o inferno, precisamos conviver com os tais, aceitá-los, e cooperar com eles para um mundo melhor. Quem sabe, se um dia nos tornarmos cristãos, eles se convertem? E se o movimento do “pluralismo religioso” interrompe a caminhada para estender a mão ao muçulmano ferido de seu próprio ódio, qual será o julgamento sobre nós, que apenas esperamos para ver o “circo pegar fogo” – desde que seja, naturalmente, em outro país, ou numa geração futura?

Não quero ser ingênuo (mas querer não é poder); nem negar a antítese religiosa absoluta que há entre a religião bíblica e o Islã, que tomo, aqui, como paradigma, repito. Também não sou pacifista, e reconheço que a guerra é, às vezes, justa. Mas a Bíblia nos ordena que façamos todo o possível para estar em paz com todos os homens. Isso inclui não apenas os muçulmanos, mas pessoas de outras convicções. E não precisamos abrir mão da evangelização para fazer isso. Nem precisamos embarcar na teologia pluralista das religiões. Não, não precisamos fazer nada isso. Precisamos apenas ser crentes.

E uma igreja local precisa pensar também neste nível. Final, não são as nossas igrejas locais que enviam missionários brasileiros a outros países? Seria demais pensar, orar, e discutir a nossa relação com estes países? Se o Greenpeace pode fazer isso, por que não nós, a igreja una, santa, católica e apostólica?

Penso que nós, evangélicos, precisamos de uma missiologia planetária consistente. De um evangelho do tamanho do mundo – porque, afinal, Deus amou o mundo.

Radicalidade

Mas sem deixar de ir à raiz das coisas. É grande o perigo de ser muito “planetário” e pouco cristão. Mais ou menos como um pouco de manteiga que é espalhada em um pedaço de pão grande demais, como diria o Bilbo bolseiro. Isso é extremamente comum, e é sempre o resultado de enfatizar demais o diálogo esquecendo-se da antítese.

Precisamos ir à raiz das coisas, e isso significa ir à raiz da apostasia humana. E, na raiz, encontramos as fontes da idolatria. Se levarmos a sério a ordem canônica da Bíblia, veremos que o final da missão de Deus é o culto, um grande culto. O livro de Apocalipse mostra, no fim, a adoração dos redimidos.

Mas uma missão que não enfrenta a idolatria não pode levar o homem à adoração; uma missão que não se choca com Babel não verá a Nova Jerusalém. Não se pode apontar o Deus verdadeiro, a "glória e majestade", a sua "força e formosura", sem mostrar ao mesmo tempo que “os deuses dos povos são nada, mas o Senhor fez os céus”, como nos ensinou o rei-pastor de Israel.

Uma missão responsável, hoje, precisa dar um passo além da denúncia da mariolatria católica, e desmascarar a consumolatria evangélica; e precisa confrontar as estruturas de escravidão montadas e justificadas pela idolatria humanista do sistema de mercado. Sem esquecer, naturalmente, da idolatria utópica do socialismo, entre cujos méritos, frente ao moderno sistema econômico, figura a sua impraticabilidade – "graças a Deus"!

Tenhamos em mente, no entanto, que a mera denúncia sociológica não é atingir a raiz; somente quando a idolatria e a concupiscência são reveladas como tais, como atos de revolta contra Deus, é que atingimos, de fato, as raízes da apostasia humana.

A missão e o princípio das Esferas de Soberania

Este último ponto nos leva de volta à experiência relatada no princípio do texto, que descobri ser extremamente comum: os conflitos entre pastores e igrejas locais, por um lado (embora, nem sempre, juntos do mesmo lado...), e os projetos sociais, por outro. Maurício Cunha, moderador da Rede Brasileira de Cosmovisão Cristã e Transformação Integral, relatou-me que os choques e tensões resultantes da confusão entre as tarefas da igreja local e dos variados projetos de transformação promovidos por cristãos evangélicos são quase um lugar-comum. Eu mesmo encontrei dificuldades assim em mais de uma ocasião.

O princípio das “esferas de soberania”, proposto por Abraham Kuyper, ou “esferas de responsabilidade,” como sugere David Koizys, ajudaria muito aqui. Trata-se da noção de que a soberania de Deus sobre cada aspecto da vida é imediata, independente de qualquer mediação. Isso significa que Deus é soberano sobre a política, sobre a arte, sobre a natureza, sobre a ciência, sobre a família, e sobre a igreja, e que a sua soberania se expressa através das leis e finalidades que Deus estabeleceu sobre cada uma dessas áreas.

Isso significa, por exemplo, que a arte não precisa estar a serviço da igreja, ou de temas sacros, para ser válida. A arte válida é a que obedece às normas divinas para a esfera da arte. E o mesmo vale para o Estado, ou para a Igreja. A soberania de Deus sobre cada esfera garante a soberania interna dessa esfera da vida humana e, por conseguinte, a sua legitimidade.

Uma eclesiologia reformada precisa, portanto, reconhecer a finalidade e soberania própria, por exemplo, de um projeto social, mesmo que ele seja mantido pela igreja, e não utilizá-lo como estratégia para obter resultados que são próprios da esfera da igreja – isto é, a evangelização. Não se mede a eficiência de um projeto assistencial pelo número de conversões, embora isso seja muito importante. A universidade cristã, o projeto assistencial, e o movimento político evangélico precisam expressar a graça de Deus dentro de suas esferas de soberania; isso significa desenvolver o pensamento cristão, o serviço social cristão e uma política cristã, e tais desenvolvimentos terão implicações evangelísticas. Mas estas serão estritamente secundárias.

A igreja emergiria, então, como um centro de ações pastorais, que cumpre a sua função primária, da evangelização, e discipula os convertidos para o mundo, fornecendo treinamento e agentes de mobilização para articular projetos de transformação integral em todos os níveis da vida humana. Em tal eclesiologia, admitimos que a igreja local não é capaz de realizar a missão integral; só um sistema de instituições, comunidades e organizações tão amplo quanto a cultura pode atingir a totalidade da cultura - a igreja, organicamente ativa em todas as esferas.
Mas a igreja local permanece como a fonte vital para a constituição de um sistema de cultura e vida social baseado nos princípios cristãos, que se estenda organicamente por todos os níveis da sociedade.

Caminhos de Reforma

O mais urgente é um projeto social consistente e prático. Que começaria com a conscientização dos pastores e líderes. Talvez uma importante estratégia seja a educação teológica; uma nova geração de pastores conscientes e abertos à realidade.

Há, também, a tremenda necessidade de uma educação cristã capaz de localizar teologicamente o cidadão na sociedade, ou seja: “o que meu trabalho, minha participação política e minha articulação com outros para agir socialmente tem a ver com o Reino de Deus, e com a minha interioridade espiritual”? Acho que isso é um grande problema na cabeça dos crentes: o que a minha vida “secular” tem a ver com a minha vida “religiosa”? Precisamos pôr um fim a esta “esquizofrenia sociológica”.

Além disso, as igrejas precisam de consultoria: pessoas capazes de avaliar as igrejas e elaborar projetos de conscientização e ação social, contextualizados e eficientes. Missões, juntas denominacionais e ministérios específicos poderiam agir nesse sentido, orientando as comunidades em termos de passos concretos.

Honestamente, no entanto, eu não vejo grandes possibilidades para uma transformação pelas vias oficiais. Parece-me que uma missão interna, destinada a reconfigurar a identidade evangélica, seguirá a via da subversão. O caudilhismo pastoral é muito bem estabelecido, e cioso da necessidade de vigiar seus currais. Boa parte dos pastores faz questão de manter seus membros ocupadíssimos com as atividades da igreja, procurando crescimento numérico.

A popularidade dos sistemas de células, por sinal, diz muito a respeito. Pessoalmente, considero a abordagem válida e interessante. Mas é nítido que a tendência do sistema é absorver todo o tempo e energia disponível dos membros na vida interna da igreja. E este é o interesse explícito de muitos pastores.

Bem, não vejo como tal coisa possa ser anunciada como a "nova reforma" do cristianismo. Com todo respeito à tradição anabatista (não é o mesmo que batista), isso de transformar a igreja em uma comunidade isolada, um conventículo (em nosso caso, num retiro permanente de comunhão e lanches) é para mim, o fim da picada. Uma nova reforma abrirá as portas da igreja, e também as portas do inferno; romperá as gaiolas eclesiásticas e plantará agentes de reforma em todas as esferas e níveis da sociedade. Diante disso, o movimento de células, como um todo, é uma reforma pífia; o ensimesmamento final do cristianismo evangélico brasileiro.

Mas os pastores gostam, e a igreja também gosta. Daí, a necessidade, talvez, de uma via subversiva; mais ou menos como Calvino fez, escrevendo aquelas coisas terríveis que eram contrabandeadas para a França, para alimentar o movimento huguenote. Preciamos contrabandear idéias, já que não podemos entrar "legalmente" nestes currais...

Restaria, pois, a nós, tirar proveito das grandes vias de informação e reflexão crítica – a Internet, ministérios para-eclesiásticos, a música, a mídia e as editoras cristãs progressistas – para promover o neocalvinismo como projeto civilizatório e social, para o Brasil; como projeto trans-eclesiástico, trans-denominacional e, na verdade, global.

Mas algo pode ser feito dentro das igrejas? Sem dúvida. Muitos pastores estão abertos à reforma. Além do ensino claro de uma filosofia social cristã, a comunidade poderia elaborar de modo consciente e participativo uma declaração de valores éticos e sociais que serviriam de “forma” para o planejamento de suas ações. Isso exigiria certo sacrifício: seria preciso gastar tempo mobilizando, conscientizando e “liberando” os membros da igreja para se envolverem, numa perspectiva missionária, em ações de cunho social, tomando a frente na luta por melhorias sociais em suas subcomunidades, fazendo projetos e pressionando o governo, em associação com crentes de outras igrejas.

Mas sem jamais perder de vista a perspectiva neocalvinista a respeito da igreja: os crentes, membros da comunidade, educados e mobilizados, se reúnem e atuam; mas a própria igreja, como instituição localizada, não pode ser convertida, pura e simplesmente, numa fundação de objetivos pragmáticos e sem qualquer elemento transcendente pois, em sua essência, é a comunidade carismática dos santos, reunidos para a celebração e promoção da fé comum. Muita gente pensa, hoje, que missão integral é assistencialismo eclesiástico, mas as maiores mudanças que o evangelicismo conseguiu na era moderna foram fruto de ações de crentes conscientes, não ações políticas ou sociais da instituição eclesiástica.

Voltamos, pois, ao princípio do texto: qual será a relação adequada entre a igreja local e a fundação assistencial? Uma relação de parceria missionária. E quanto à igreja, o caminho está claro: ela não tem que virar universidade, laboratório de física, centro de estudos econômicos, sindicato, comitê político, curral eleitoral, fundação assistencial, hospital, ou qualquer uma dessas coisas. Mas ela precisa gerar e patrocinar todos esses projetos. Precisa formar e mobilizar um cristianismo que realize essas tarefas sob o impulso interno de sua própria natureza intrínseca; um cristianismo que se descobriu como um sistema total de vida e pensamento.

4 Comments:

Anonymous Juan de Paula said...

Pastor Guilherme,

muito importante sua reflexão!

Creio que as dificuldades se encontram em dois eixos.

1 - A mentalidade do evangelicalismo no Brasil é de um modo geral católica. Em que sentido? Somos evangélicos apenas no credo, mas mantemos a dicotomia entre o sagrado e o profano. A religião bíblica, evangélica e protestante trabalha com a idéia de que tudo se torna sagrado a partir da redenção em Cristo. Nessa dicotomia, o espaço da igreja é sagrado, o seminário teológico é sagrado, o ministério pastoral, o culto, as atividades eclesiásticas, tudo é sagrado e o que está fora da cultura gospel se torna profano, mundano e mal. Weber toca muito bem no ponto quando coloca o cristão protestante como predestinado a servir a Deus no mundão (ainda que particularmente tenha algumas ressalvas ao texto.)

2 - Você colocou muito bem, que as igrejas as vezes trás muita gente para dentro sugando suas energias, sem incentiva-las a glorificar a Deus na criação. Lógico que o cristão tem que ter compromisso comunitário, mas não deve se realizar na igreja (a não ser que tenha sido chamado para isso). Gosto de Bonhoeffer quando escreve que somos chamados a ser discipulos no mundo.


Então é nitido ver uma influência do entendimento romano de sacro e profano nos arraiais evangélicos.

As confissões de fé calvinistas (CFW, Belga e Confissão Londrina de 1689) defendem que as boas obras são recomendadas pelo evangelho (o pacto de Laussanne trabalha com a idéia de que a pregação e a ação social andam juntas no evangelho).

Lutero foi crítico político de sua época e instituiu escolas ao lado das igrejas. Calvino, mais aberto que Lutero (esse mais paradoxal na relação espiritual e material) em relação ao crente e a sociedade, fundou a acadêmica de Genebra e abriu para os pobres refugiados franceses em Genebra. Fundou também um hospital na cidade. Calvino tinha uma forte visão de diaconia, ajudar os orfãos e as viúvas.

Os puritanos eram fortemente a favor da ação social na grei. Eram pedras no sapato dos tiranos de seu tempo e brigaram para uma sociedade mais justa. Vemos isso na vida de Wilberforce, Wesley e outros.

Eu estudo em um seminário bem plural, embora se diga confessional e seja o principal de minha denominação. Lá encontro articuladores da Tdl que me acusam de ser um fundamentalista sem preocupação social. Como resposta escrevi uma postagem na confraria calvinista: http://calvinistas.blogspot.com/2006/07/um-calvinista-na-favela-quem-foi-que.html
comentando experiências pastorais em uma favela na zona sul do RJ aonde sirvo como membro da equipe pastoral e em tempo integral. O lema de nossa igreja é: "um local para uma missão integral" cujo braço forte é o trabalho social, porém eu atuo mais na catequese e os pastores na pregação expositiva. Catequizo crianças de favela entre 07 a 12, 13 anos. Eles dizem que seus pais estão presos, no tráfico, mortos. Suas mães estão com câncer, aids e outros...... Os seculartistas da Tdl nada tem a dizer pois não acreditam na transcedencia de Deus, eu tenho pois acredito na redenção integral bíblica-reformada que trabalha com o ser humano como gente mas como ser espiritual também.

Creio que a Bíblia é equilíbrada quanto a essas questões, ela trabalha com o homem integral. Nem só alma, nem só carne. Nem os gnósticos evangélicos estão corretos, nem os liberais. São dois extremos.

Sua postagem é muito relevante para o momento em que vivemos. Porém cabe dizer que estamos em estado de queda e que somos peregrinos nessa terra. Um dia vamos morrer e encontrar Jesus na glória, porém devemos cuidar da criação que o Senhor vai restaurar naquele grande dia.

Deus te abençoe pastor e desculpa o comentário grande!
Juan
P.S: Indico bibliográfica sobre o tema:

MATOS, Alderi de Sousa. Amando a Deus e ao próximo: João Calvino e o diaconato em Genebra. Fides Reformata

LOPES, Augustus Nicodemus. Calvino e a responsabilidade social da igreja. Ed. Pés

BIÉLER, André. O pensamento social e econômico de Calvino. Cultura Cristã.

___________ A força oculta dos protestantes. Cultura Cristã

RIKEN, Leland. Santos no mundo: os puritanos como realmente eram. Ed. Fiel
(capítulo sobre a ação social dos puritanos).

SHEDD, R. A Justiça Social e a Interpretação da Bíblia. Edições Vida Nova.

11:49 AM
Blogger André Tavares said...

Guilherme,

libera esse texto pro site da Rede! Abraço,


André.

5:02 PM
Blogger André Tavares said...

Guilerme,

libera esse texto pro site da rede... seus textos bem que podem compor uma coluna pomputa lá... aliás, tem sido pática de articulista publicarem os textos em sites e em seus blogs. Acho que ia ser legal, que acha?

André.

5:04 PM
Blogger Charles L. Grimm said...

Irmão Guilherme,

Um texto muito bom. Excelentes reflexões. Espero que o seu artigo contribua à causa do neocalvinismo e, obviamente, à glória de Deus. Parabéns!

7:21 PM